ESCOLA DE DESAPRENDER

ESCOLA DE DESAPRENDER

Os meus últimos meses tem sido radicalmente transformadores. E se eu tivesse que elencar apenas um fator primordial para que essa transformação acontecesse seria o DESAPRENDER.

Desaprender o que aprendi sobre poder.
Desaprender o que aprendi sobre sucesso.
Desaprender o que aprendi sobre prazer.
Desaprender o que aprendi sobre felicidade.
Desaprender o que aprendi sobre ser mulher.

Não há atalho. Não há como desaprender sem desapegar. Não há como seguir por novas rotas sem voltar atrás pela mesma estrada que caminhei até aqui.

Eu sinto que ainda tenho muita coisa pra desaprender. Ainda tem muito chão para voltar e só então recomeçar. 
Eu aprendi que em posições de liderança a gente não pode titubear, não pode ser vulnerável, não pode ter dúvidas. É preciso falar forte e alto para que eu seja ouvida. Não se pode demonstrar emoções pois isso é sinônimo de fragilidade e imaturidade. 
Eu aprendi que sucesso era ter cada vez mais. Carro do ano, casa arrumada, corpo enxuto. Para ter cada vez mais, era preciso trabalhar mais e mais. Aprendi que sucesso era ser promovida. Aprendi que sucesso é ter a vida cheia de compromissos. Aprendi que agenda vazia é sinônimo de gente ociosa e preguiçosa. 
Aprendi que prazer é algo para os hedonistas. Algo raro e mal visto. Aprendi que antes de sentir prazer é preciso dar prazer. Aprendi que tudo bem sentir dor. Afinal, os santos sofrem e são eles nossos ideários. Aprendi a ser linda na cama para que o outro fantasiasse sobre meus supostos prazeres profanos. Aprendi que o prazer sexual é terreno dos machos. 
Aprendi que a felicidade só é possível nos modelos românticos. Casar, ter filhos, encontrar a tampa da minha panela. Aprendi que é impossível ser feliz sozinha. 
Aprendi que ser mulher de poder é ser mulher fálica, castradora, analítica, rígida. Aprendi a não perder tempo com emoções e fragilidades. Aprendi a endurecer para ser. 
Hoje estou frequentando a minha escola de desaprender. Sendo poderosa e também sensível, vulnerável, amorosa. Definindo o meu modelo de sucesso que não inclui carro, nem casa, nem corpo. 
Aprendendo a ter sucesso sem ser gerente, sem ter agenda cheia, acordando as 9h em plena segunda para caminhar no parque. Estou aprendendo a santificar o prazer. A encontrar a delícia de habitar o meu corpo, de desfrutar as sensações, de curtir intensamente, de encontrar o meu deleite antes de oferecer ao outro. 
Estou descobrindo um novo lugar da mulher aqui dentro. Que acolhe, que agrega, que silencia, que respira. Que precisa de bem menos para ser.

Quer desaprender também? Acredito muito que a trajetória coletiva é mais expressa. Tem espaço pra todo mundo desaprender, no seu ritmo, do seu jeito. 

POR QUE EMPODERAMENTO DO PRAZER PARA MULHERES?

POR QUE EMPODERAMENTO DO PRAZER PARA MULHERES?

O tema do feminismo e do empoderamento feminino é uma das pautas mais relevantes da nossa atualidade. E isso é uma ótima notícia! As mulheres estão despertando, reivindicando seus direitos, cada vez mais ativas, buscando seus caminhos de autonomia e liberdade. Não se trata de uma luta contra o masculino, mas uma cura do feminino que andou marginalizado e ofuscado por muitos séculos.

Nesse despertar muitas formas de luta surgiram e todas merecem respeito. Mais do que nunca, fala-se nas diversas maneiras pelas quais a mulher pode encontrar o seu espaço de identidade. Assuntos que passam pela identidade de gênero, disputa de classes, tradições, trabalho, educação, maternidade, cidades, espaços sociais. Todos tópicos muito relevantes, porém, há um assunto de extremo valor que não tem tido visibilidade na pauta do feminismo: o direito ao prazer das mulheres.

Fomos educadas essencialmente para servir ao outro. Ao parceiro, aos filhos, à família, aos chefes, aos amigos. Aprendemos desde cedo a fechar as pernas, a sermos dóceis, a respeitar o outro. Não aprendemos sobre nós. Sobre o respeito ao nosso corpo. Não aprendemos sobre a nossa anatomia sensorial e sagrada. Não olhamos para a nossa intimidade, delegamos ao outro. Não conhecemos nossa vulva, nosso clitóris, nosso colo do útero. Não aprendemos os nossos caminhos de prazer, de gozo, de deleite. Há uma ferida na nossa relação com a sexualidade que precisa ser curada. O prazer do corpo feminino ainda é cheio de tabus, obscuridades, medos. Essa realidade precisa mudar. Mas, como? Trazendo o assunto para a pauta. Criando espaços de discussão.

Falar de empoderamento do prazer é resgatar algo que nos pertence. Algo que é nosso por direito, desde que nascemos. Algo que une todas aquelas que habitam um corpo de mulher, independente de cor, de credo, de tradição, de condição.

É sobre isso que falo quando falo de Empoderamento do Prazer para Mulheres. Uma conversa de mulheres, entre mulheres. Um espaço de sororidade e de educação sobre o prazer de ser mulher.

Quer saber mais? 
Participe das oficinas e reuniões da Prazerelas.

AMAR DESDE QUE...

É a festa do 'amô'. Todo mundo ama todo mundo. Todo mundo expressa o amor a torto e a direito. Mas afinal, o que é mesmo amar? Essa palavra tão fofa que vem sempre carregada de símbolos avermelhados e pulsantes. Verbete que de tão ideário chega a ser hermético. Não há espaço para questionar o que é o cerne do amor. Mas, nessa chuva de declarações de amor o que eu mais vejo por aí é amor desde que.

Eu te amo, desde que você seja linda.

Eu te amo, desde que você não me decepcione.

Eu te amo, desde que você seja sempre a mesma.

Eu te amo, desde que você concorde comigo.

Eu te amo, desde que você esteja sempre disponível.

Eu te amo, desde que você me priorize sempre.

Eu te amo, desde que sua felicidade dependa de mim.

Eu te amo, desde que você seja só minha.

Amar, desde que. Esse amor que de amor se esvaziou. Amor que não tolera é amor falsificado, fajuto, de araque. Amor cheio de condições e cobranças. Amor sob pressão, pisado em ovos. Amor bambo.

Que amor é esse que você expressa tanto por aí?

Quantos desdes quês você impõe para amar?

Quer saber? É este 'desde que' o que torna o amor abusivo. Aa relações abusivas. As amizades abusivas. A vida abusiva. Em que a gente abusa e é abusada na mesma medida. Porque 'desde que' é não aceitar, não respeitar e impor critérios que ferem o limite do outro. (Se você quer saber mais sobre amores abusivos, assista o vídeo da maravilhosa Jout Jout aqui.)

Ando fazendo uma análise criteriosa dos amores confessos da minha vida. Passando pente fino à procura dos piolhos 'desde que'. Não quero amores desde que. Não quero amizades desde que. Não quero vida desde que.

Quero amar e ser amada ‘ainda que’.

Amar, ainda que não seja fácil respeitar os limites do outro.

Amar, ainda que o outro não me ame do jeito que eu gostaria.

Amar, ainda que eu tenha uma vontade imensa de te dominar.

Amar, ainda que eu possa ser feliz sem você.

Amar, ainda que. Isso é amor genuíno, compassivo, respeitoso.

Amor que se movimenta, que se permite ser vulnerável e frutífero.

Amor resiliente, amor construtivo.

Amor que exige de nós mais humanidade, mais humildade, mais generosidade. E definitivamente, esse amor não é romântico.

POR UM MUNDO EM QUE AMEMOS. AINDA QUE...

A CURA PELO PRAZER

Lá vem ela com essa história de prazer.

Eu devo estar sendo repetitiva. Mas eu digo uma coisa: vai piorar… ou melhor, vai melhorar. Quando eu decido investir em algo, é difícil me dissuadir. A genética alemã fala mais alto e a obstinação e disciplina correm nas veias.

Não é pra ser auto-ajuda, mesmo. O título do texto poderia ter sido melhor, mas não achei outra forma de dizer que existe cura pelo prazer. Mas, falar sobre isso é de fato mover montanhas. Mover o Everest e a cordilheira dos Andes ao mesmo tempo. Tem muito preconceito, muita resistência, muito medo de se falar em prazer. Pior ainda falar em prazer para mulheres no Brasil. São fatores que misturados são quase intransponíveis.

Você aprendeu desde pequeno que precisa batalhar muito pra crescer na vida. Batalhar no sentido de sofrer mesmo. Quando o corpo arrepia, sai logo um “Saravá”!

O velho testamento já cravou na pedra que Eva ferrou tudo comendo a maldita maçã e levou a humanidade pro brejo. Resultado: estamos fadados ao sofrimento eterno. Sofrer a miséria, a dor do parto, os desamores e as faltas.

Não bastasse a religião, agora tem a medicina querendo nos ditar como viver. Assistindo o psicanalista Contardo Calligaris no programa Roda Viva (vale a pena assistir!), o vi dizendo que a previsão de Foucault está se constatando: a religião está sendo substituída pela medicina.

Hoje a terceirização da felicidade já não é mais para Deus, mas para outros todo-poderosos: os médicos. Padrão de felicidade mesmo é ter plano de saúde que cobre o Einstein, né? Vejam onde fomos parar. Pensando melhor, os planos de saúde deveriam se chamar planos de doença, não? Porque quem tem saúde não precisa de plano, penso eu. 
 
É toda uma tecnologia de sofrimento de ponta instaurada, minha gente. Segundo Foucault, a medicalização da vida está diretamente ligada ao controle social. O discurso aparentemente amigável da busca de uma vida saudável que sustenta dietas-mil, polivitamínicos, academia, whey protein e jejum eterno para conquistar o corpo dos sonhos é apenas um subterfúgio convincente para te manter sob controle, sofrendo na medida certa e tendo bem pouco prazer genuíno.

Para Ivan Illich, a medicalização da vida faz mal à saúde.

"A saúde supõe a capacidade do sujeito assumir a responsabilidade pessoal diante da dor, da infelicidade e da morte. Portanto saúde é autonomia para se autorrefazer a partir de recursos do seu ambiente de vida. Nesse sentido, a saúde está essencialmente ligada à cultura. E esse poder gerador de saúde, inerente à cultura, está ameaçado pela mentalidade criada pela medicalização que expropria as pessoas dessa capacidade de encontrarem recursos simbólicos para lidar com tudo o que ameaça o seu equilíbrio existencial (…)."

Passaram décadas te convencendo de que só o remédio cura a dor. Mas, eu vou insistir num modelo de navegação disruptiva que tem uma tecnologia ainda mais revolucionária. O prazer. Já tem gente dizendo por aí que eu pirei, que tô virada na perversão. Que agora só penso em sexo. Olha, se fosse isso já estava bom. Mas, é bem melhor que isso. A sexualidade é só uma das formas de se conectar com o prazer, tem taaaantas outras. Dançar dá prazer. Cantar dá prazer. Fazer o que faz sentido, dá prazer. Silenciar e se permitir ser quem você é, dá prazer. Respirar, sim, RESPIRAR, pode dar muito prazer. Mas de novo, para sentir prazer a gente precisa passar a arrebentação de ondas bravas que quer nos convencer de que só a dor salva. 
 
Sentir prazer passa inevitavelmente pela reconexão. Com a sua verdade. Com o seu corpo. Com a sua intimidade. Quando estamos inteiros, deixamos de estar anestesiados e egoístas movidos apenas pela falta amarrada na ganância. Quando entendemos a nossa inteireza prazerosa, nos tornamos mais humanos, conscientes, capazes de empatizar com as dores do mundo. Quando sentimos prazer, acendemos uma fagulha de calor no mar de frieza do sofrimento. E assim levamos um pouco de calidez pro mundo. A cura pelo prazer passa pela cura das curas. Voltar a sentir prazer é curar a alma dos sofrimentos mais recônditos. Sofrimentos esses que originam os padecimentos do corpo, do câncer àquela dor de cabeça crônica que não te abandona. Acredite, existe um fluxo disponível e não medicalizado para você estar bem com você mesma.

E não. Eu não virei a louca, tarada, libertina. Rainha do sexo. Ainda não, quem sabe um dia. Eu sou apenas uma mulher que acredita que existe um jeito mais leve, fluido e cheio de deleite para encarar a vida. O caminho do prazer. Inclusive, estou pensando em criar Planos de Prazer para concorrer com os Planos de Saúde, que tal?! :D

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No facebook também: Mariana Stock e na Prazerelas.

 

EU SOU A MARIANA, MUITO PRAZER

Talvez você já me conheça. Talvez não. Mas não é do prazer de me apresentar que me refiro. Estou falando do prazer de ser eu, Mariana. Prazer de estar na minha pele, na minha vida, prazer de saber o que me faz gozar!

Quanta auto-estima, não? Mas não foi sempre que esse prazer todo me habitou. É coisa recente… Pra te situar um pouco no tempo, hoje faz exatos 6 meses que saí do meu último emprego. Sinto que é um bom momento para compartilhar com você por onde o leito do meu rio anda fluindo.

Sai do meu emprego para o NADA. Literalmente. Nada em vista. Precisava de um tempo em branco, pela primeira vez na minha vida, eu não tinha planos. Ao fazer o meu mergulho existencial e deixar que vida fosse me levando pelos caminhos mais fluidos do encontro comigo, cheguei no lugar do meu feminino. Ele andava meio endurecido, confesso. O feminino havia se tornado aquele lugar da mulher idealizada. Arapuca mais do que sorrateira dos tempos contemporâneos. O meu feminino estava aprisionado no lugar da moça bela, da moça bem-sucedida, da moça poderosa, da moça que tem controle de tudo. Eu estava paralizada ali. Qualquer movimento poderia significar a queda da torre de babel da mulher-modelo-de-sucesso. Sustentar tantas coisas pesadas era um exercício de resistência e imobilidade.

Quando passei ao status de desempregada, um bom pedaço da torre despencou. Eu já não era mais a mulher bem sucedida aos olhos da sociedade. Também não era poderosa. O que restava daquela Mariana que me identificava? Apenas um semblante bonitinho? Não, não podia ser. Entendi que naquele buraco escuro e vazio embalado de angústia poderia ter um conteúdo mais interessante do que apenas o lugar miserável do corpo desejável.

Voilà.

Cheguei à pergunta chave: o que me dá prazer genuíno na vida?

Cri. Cri. Cri.

Já sei! Viajar! Eu amo viajar! Quem não ama viajar, Mariana Stock? Resposta pronta, resposta genérica, resposta evasiva. Vamos tentar de novo.

O que te dá o prazer de estar viva, hein, hein, hein?

Não saber responder a essa pergunta me levou a um lugar ainda mais fundo do meu vazio. O que na minha vida eu estava fazendo por puro deleite e o que eu estava fazendo para sustentar uma imagem de mulher exitosa para a sociedade? A verdade é que lidar com tantos por quês sem respostas óbvias é um grande convite para a alienação. Já que eu não sei por que eu existo, eu me rendo ao sistema e corro atrás de me enquadrar nos modelos de sucesso existentes. Literalmente, me torno refém. Refém de um sistema binário. O que não é bonito, é feio. O que não é bem sucedido, é fracassado. O que não é sagrado, é profano. Não há intervalo entre uma coisa e outra, não há espaço para os modelos individuais de êxito. Ou é, ou não é.

Ow, lord. Que papo brabo, Mariana!

Calma. Vai melhorar. O sol há de raiar nessa prosa.

O calvário de me embrenhar nessas indagações todas foi pungente, não nego. Se eu não quero mais ser refém desse sistema perverso, a que eu quero pertencer? Quero pertencer a mim! Quero entrar em contato comigo, com meu corpo, com minha alma! E de novo, entrar em contato conosco não convém para a Matrix. No sistema binário, a DOR está para o sagrado, assim como o PRAZER está para o profano. Na sociedade judaico-cristã em que vivemos, a dor é legitimada como caminho de evolução. O prazer é apenas para aquele momento íntimo, dedicado ao outro, num quarto escuro. Quem tem muito prazer logo é acusado de hedonista, fã da putaria e perversão, nada dignos de consideração. Afinal, a gente precisa sofrer para aprender, não é?

NÃOOOOOOOOOOOOOO!!!!!!!! (leia alto e sonoro!)

É sobre isso que quero falar. Precisamos falar sobre prazer. Precisamos ter prazer. Precisamos gozar a vida, gozar o corpo, gozar livremente. E tem mais, não custa nada, tá aí disponível nesse seu corpão que é uma máquina incrível de sentir prazer. Apesar do sistema todo te fazer acreditar que o corpo é o instrumento da dor e da doença. Chega de crucificar Jesus, minha gente! Prazer é amor!

Quando a gente aprofunda o capítulo do prazer para as mulheres, vixe-maria-creo-en-diós-pai. Tá puxado! Não fomos educadas para sermos sujeitos desejantes, mas sim sujeitos desejados. Aprendemos a esculpir o corpo na academia, mas não aprendemos a nos tocar. Aprendemos a fingir que gozamos para agradar o outro, mas não aprendemos o que nos regozija. Aprendemos a fazer cara de safada entre quatro paredes, mas não aprendemos o que de fato nos torna libertas e libertinas. Apesar de ter usado o pronome NÓS, toda essa reflexão aqui é auto-referente, longe de mim querer julgar outras mulheres. Mas, não vai me impressionar em nada se você se identificar com algumas dessas prisões.

Foram seis meses nessa viagem questionadora e libertadora. Mergulhei na análise, no estudo da psicanálise e da sociopsicologia. Fui estudar a maternidade, o parto humanizado e a sociedade doentia e medicalizada em que vivemos. Descobri o Tantra e os caminhos do orgasmo feminino. Me meti no universo das artes, da música e da beleza original. Beleza que é fluida, leve, divertida. Me percebi vivendo o hoje, sentindo o prazer do meu corpo, sendo feliz sem consumir.

Essa será minha bandeira daqui pra frente!

Quero trabalhar pelo empoderamento do prazer das mulheres.

Vou apertar esse botão quantas vezes forem necessárias para subverter o sistema vigente da dor.

Está só começando!

Estou criando um espaço chamado PRAZERELAS somente para falarmos sobre o prazer feminino. Em março vou dar uma oficina sobre como podemos nos empoderar do nosso prazer próprio.

Vem comigo?

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